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O LEÃO NA SELVA

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Quando eu comecei a dar palestras sobre empreendedorismo, o assunto era muito pouco conhecido e minha experiência era bem limitada. Tive uma carreira que ascendeu muito rápida no movimento de jovens empresários e aos 20 anos já estava viajando, montando grupos de empreendedores e liderando um movimento. Para criar conexão com o público, comecei no ínicio das minhas palestras a contar uma historinha que eu ouvia desde pequena o meu pai contar. Era a história do Leão Na Selva.
Meu pai, sujeito empreendedor, que não teve outra alternativa na vida a não ser se virar, foi e é o meu maior modelo de empreendedor. De família migrante de Minas Gerais, mais velho de 4 filhos, devido a enfermidade do meu avô teve que começar a ralar cedo pra ajudar a família.
Foi vendedor de livro, foi da “Home Familly”, montou uma escola de aulas particulares e virou corretor de imóveis. Carreira na qual se dedicou por algumas decádas e pode, prover aos filhos, a melhor educação e cultura que ele pode sonhar. Nos inícios dos Anos 80, a região da Praia Grande no Litoral Sul Paulista, estava enfrentando um grande boom imobiliário e meu pai foi pra lá logo no início da carreira. Vida de corretor não é fácil, trabalha sábado, domingo… E logo, meu pai comprou um apartamento de 1 dormitório, sala e cozinha na Praia Grande, para a gente poder acompanhá-lo na cidade durante seus finais de semana de trabalho. O que como criança, eu adorava, pois ia pra praia todo o final de semana. Mas tinha uma coisa muita chata: por volta do meio-dia, quando a praia estava cheia de gente, a mamãe nos fazia voltar, pois tinha que dar almoço para o meu pai. Os pais dos meus amigos estavam todos na praia e eu não conseguia entender isso. E, para uma criança dos seus 5/6 anos, ele explicava com a historinha…

Era uma vez um Leão…

Esse leão morava no zoológico. Ele vivia com a sua família e mais ninguém. Ele tinha uma jaula grande, ao ar livre. Tinha pedras e um laguinho. Tinha umas árvores e uma espécie de toca ou caverna, onde eles podiam se abrigar do sol e da chuva. Ele estava sempre esbelto. A comida dele e da família era balanceada, definida por especialistas e sempre servida na hora certa. Se ficasse doente ou se machucasse, logo um veterinário estaria cuidando dele ou de sua família. Eles viviam seguros e protegidos. A vida deles poderia ser perfeita, mas não era. Pois todo o dia que ele acordava, ele só tinha aquela jaula pra viver.

Era uma vez, um outro Leão.

Esse Leão morava na Selva. Ele vivia com sua família, com outros leões e com diversos outros animais na Savana. Ele precisava caçar pra comer. Ele precisava buscar abrigos para sua família e nem sempre essa era uma tarefa simples; as vezes precisava lutar para defender seu território. Se se ferisse, contava apenas com o tempo e a natureza para sobreviver. Não era uma vida fácil, tão pouco segura. Mas ele acordava todo o dia com uma certeza: ele e sua família tinham a Selva inteira para explorar.
Eu cresci no modelo da Selva. Não é um modelo fácil para se viver e isso causou algumas dificuldades para mim. Os poucos empregos formais que tive, sempre tiverem que vir carregados de autonomia, pois a liberdade é pra mim um valor vital. Meu primeiro casamento, com um rapaz criado no modelo zoológico foi então um fracasso total. Mas meu caráter empreendedor foi formado já no berçario, o que desenvolvi, ao longo dos anos, dos estudos e das experiências, foram apenas mais habilidades. Hoje, por conta do lado acadêmico, tenho que por o pé na jaula e confesso que, embora seja desconfortável, consigo me adaptar. Já sou uma leoa cansada, que conheceu e passeou muito na selva. Tenho uma grande habilidade de adaptação.

Mas e quando acontece o contrário? Quando o Leão já velho e cansado é expulso da jaula, sem nem ter aprendido a caçar? Como sobrevive?

Confesso que esse assunto, tem sido o mais questionado para mim nos últimos meses. Infelizmente a crise que tomou o nosso país, expulsou muitos leões da jaula. Muitas empresas, vendo o horizonte que se desenhava, fizeram cortes drásticos preventivamente. Muitas hoje, fazem cortes na carne e tantas outras, não estão sobrevivendo. São milhares e milhares de pessoas perdendo os seus empregos, sem ter nenhuma perspectiva de uma rápida recolocação no mercado. Tanto jovens como experientes, com qualificação ou sem qualificação, com pouca ou muita experiência; essa crise não fez distinção.
Tenho acompanhado com tristeza, o sofrimento de pessoas que estão sendo obrigadas a passar por verdadeiras transformações. E, acredito que pisar na Selva pode ser assustador. Mas, com um pouquinho de atenção, cuidado e resignação, quando você conseguir levantar o olhar para o horizonte, vai se apaixonar pelas paisagem e pelas possibilidades. Eu vou dividir com vocês a história de duas mulheres fantásticas. Elas perderam seus empregos. Elas se perderam e estão se encontrando.
Eu conheci a Rejane em um curso de teatro. Ela estava a procura de melhorar sua habilidade de comunicação. Advogada, com cursos internacionais no currículo, tinha acabado de perder o seu emprego numa das maiores empresas brasileiras, a qual tinha muito orgulho de trabalhar. Para ela, perder a posição, além de ser o abalo da sua auto-estima profissional e pessoal, era perder também o sobrenome. Precisava desesperadamente encontrar uma colocação em outra empresa que pudesse lhe dar um sobrenome. O curso de teatro acabou rapidamente, pois era um intensivo e meu contato com ela foi breve. Passou 2 meses e recebi um telefonema de Rejane, dizendo que estava buscando outros caminhos temporários e seu poderia ajudá-la com meus conhecimentos em empreendedorismo. Saímos para almoçar e ela contou um pouco acanhada que estava aproveitando umas oportunidades que apareceram e que estava fazendo brigadeiros. Se lembrou que além de empreendedora, fiz um MBA em Gestão de Mercado de Luxo e me disse: Se eu tenho que fazer brigadeiros agora, quero fazer os melhores brigadeiros gourmet que existe e me entregou uma caixa com uma variedade enorme de brigadeiros para que eu degustasse. Dei algumas dicas para a abertura do negócio, estratégia de vendas e precificação, recomendei alguns cursos de capacitação e fiquei com a dura tarefa de degustar a caixa inteira de brigadeiros e dar um feedback.
A tarefa foi mais dura do que eu imaginava. Os brigadeiros estavam gostosos, mas nem de longe eram os melhores brigadeiros que comi na vida. As embalagens e a apresentação dos produtos estavam simplórias, para quem almejava um mercado gourmet. Fiquei morrendo de medo de quebrar a sua recém colada auto-estima, mas era necessário dar um feedback verdadeiro. Me coloquei ao lado dela e passei a convidá-la para eventos e palestras que eu promovia. Foram mais 2 meses e a evolução foi absurda! Sua caixa seguinte de degustação foi de comer rezando! Seus produtos estão cada dia melhores e hoje, sou sua cliente. E, aos poucos, a Rejane está montando sua clientela. Voltar a trabalhar como advogada, ainda é uma possibilidade, mas não tem mais urgência e nem compromisso.
Um dos convites que fiz a Rejane, foi para assistir a palestra da Claudia Giudice. A Claudia é uma mulher de se tirar o chapéu. Jornalista, foram 23 anos trabalhando na editora Abril. Era Superintendente. Mulher poderosa. Mas não viu o Tsunami se aproximando e perdeu o chão quando foi demitida no grande corte que a companhia fez em 2014. Ela desabou. Teve grande dificuldades em transformar seu Plano “B” (sim, ela tinha um plano B!) em plano “A”. Hoje, sua Pousada na Bahia, vive lotada e os negócios evoluindo. Seu Plano B, hoje é continuar fazendo algo que ama, que é escrever. Seu escritório é a praia ou a cozinha da Pousada. Ela lançou o livro: “Vida Sem Crachá”, onde com simplicidade e honestidade, divide em suas páginas, todo esse momento de transformação pelo qual vive. É uma história fantástica que inspirou a Rejane a mudar sua atitude em relação ao seu trabalho: ela não está fazendo doces, ela é uma doceira.
A história da Claudia pode ajudar muitas pessoas ainda. Além do livro, que eu já dei um exemplar para algumas pessoas, ela divide muitas histórias pelo seu blog que virou site. Tem o mesmo nome (www.vidasemcracha.com.br) e pode servir de inspiração, para tantas e tantas pessoas, que hoje se assustam nesse momento de recomeço.
Assim como essas mulheres, sejam como a Fênix, que após morrer, sendo consumida pelas chamas, era capaz de ressurgir das cinzas. E como um pássaro, lá do alto, você vai ver que a Selva é apaixonante.

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Todo mundo já ouviu falar algo sobre o comportamento das gerações. Cada um com uma letra diferente, Geração X, Y, Z, Millenial… cada uma trazendo um padrão diferente e inovador para a sua época.
Pois é, agora essa história mudou. A nova abordagem, fala de comportamento não mais da geração, mas sim da sociedade como um todo. E que, o comportamento adotado, é uma resposta da sociedade para o momento em que vivem. E, por serem mais novos, terem menos repertório e menor resistência, um grupo da sociedade (aí sim a geração) são os “early adopters” deste comportamento que acabará se disseminando, pela sociedade em geral, conforme for vencendo as resistências.
E, dentro desta abordagem os Millenials são os “early adopters” reagindo a uma tendência da sociedade, que está sendo chamada de Mundo VUCA. Essa palavra é um acrônimo para descrever as características marcantes que o mundo está vivendo nesse momento: Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity. Esse termo, começou a ser usado, ainda nos anos 90, pelo o U.S. Army War College, para explicar o mundo Pós Guerra Fria.
Traduzindo, vivemos hoje, em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Volátil, porque a velocidade das mudanças é cada vez maior; Incerto, porque por mais informações que a gente tenha, nem sempre elas podem nos ajudar a prever o futuro; Complexo, porque cada vez existe mais conectividade e interdependência e o número de variáveis dentro de uma análise de risco e tomada de decisões aumentam exponencialmente; e finalmente ambíguo, porque devido ao aumento da complexidade, as análises ficam cada vez mais subjetivas.

E como as empresas se desenvolvem nesse ambiente? O que muda?

Vamos usar como exemplo, uma empresa que fabrique lentes de grau para óculos. Como costumam pensar seus executivos? Normalmente, trabalham com tendências e projeções. Buscam dados que possam balizar suas decisões, como quais tipos de doença tem afetado mais a visão, novas tecnologias para a lente não quebrar nem riscar, formas de fazer as lentes mais finas, mais leves, novos ângulos de corte, enfim, existem uma série de fatores que podem ser analisados, para se criar um cenário e se traçar uma estratégia e um planejamento para alcança-la. Usam uma série de ferramentas, analises swots e buscam o sucesso, evitando qualquer tipo de falha.
Só que no Mundo VUCA, aparecem 4 meninos estudantes, que criaram uma startup no fundo de casa e desenvolveram um colírio especial, que ao pingar nos olhos, corrige por uma determinada quantidade de tempo a imperfeição ocular. Como reagir a isso? Como criar um novo planejamento? Quais dados usar?
Nesse novo mundo, os conceitos de administração tradicionais são suplantados pela velocidade. É muito mais importante ter velocidade de decisão e reação, do que ter um excelente planejamento, porque os cenários mudam muito rápido e de formas inesperadas.
Dentro dessa visão, é importante testar rápido, para falhar rápido e aprender com o processo. A falha, não é mais estigmatizada e passa a ser parte de um processo de melhoramento contínuo, onde se tenta minimizar os custos da prototipação, para poder testar cada vez mais antes de criar tração e ganhar mercado, aí sim, investindo valores significantes.
Essa nova forma de pensar e desenvolver negócios, chamada de Lean Startup, tem impactado também a forma como a educação empreendedora se coloca, ganhando cada vez mais força o “Learn by doing”, ou seja, aprenda fazendo, método este, também alinhado ao Design Thinking. Mas educação empreendedora merece um artigo só para ela, por enquanto fica a dica: Faça – Aprenda – Construa

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